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30 junho 2014

Crônicas de Silbery - O segredo do bosque

Vera esta no meio de um campo de batalha. Desesperada procura suas irmãs, mas vê apenas poeira levantada e estranhas criaturas de outro mundo que lutam entre si ferozmente. Grita por alguém, mas sua voz não sai, tenta correr, mas seus pés estão presos ao chão e quando olha para baixo não são seus pés, mas no lugar grossas raízes fincadas na terra. Percebe então que ela faz parte daquele lugar e em uma de suas mãos surge uma enorme espada que reluz um brilho tão forte que chega a ofuscá-la, mas ao olhar para a lâmina surge um rosto de mulher, tão pálida quanto à neve que cai, ela gargalha diabolicamente e alguém grita.
- Vera cuidado. – Vera vira-se tão rápido quando pode e então ela está ali, frente a frente. Seus olhos muito abertos fixam-se nos de Vera e sua mão sobre um cajado se eleva para feri-la.
- Vera! Vera...
Alguém toca em seu braço e ela sente a quentura do toque, vira-se e vê sua mãe a seu lado.
- Querida acorda! Uma voz meiga soa em seus ouvidos
Num sobressalto ela senta da cama. Está banhada em suor mais uma vez.
- Criaturas estranhas novamente? Pergunta a mãe tirando dos olhos de Vera uma mecha úmida de cabelo.
- Uhum. – murmurou a filha.
- Você está cansada demais minha filha. – E pegando um livro que estava caído no chão, leu o título. – A Senhora das sombras Desde quando se interessa por isso?
- Desde que comecei a sonhar com essas coisas. – Vera bocejou, estava se sentindo muito cansada.
- Querida são apenar sonhos. Não pode se impressionar com isso e devorar todos os livros que encontrar. Não deveria estar estudando para a prova quando perde tempo com essas leituras? Filha já estamos no fim do semestre e sua professora me disse que suas notas caíram significativamente.
- Mãe, caiu pra oito – Respondeu Vera revirando os olhos – Isso nem chega a ser significativo. E quando falou com ela?
- Ok, ela exagerou nos termos.  Estava outro dia no supermercado e encontrei-a na banca das verduras e ela me abordou de imediato. Nossa ela é estranha.
Ambas riram.
- Se diz que ela é estranha deve estar falando da professora Azera... – Vera não terminou a frase, olhou no relógio e deu um pulo da cama.
- Mãe porque você não me acordou? –
- Mas estava te chamando há dez minutos.
Vera correu para tomar uma ducha enquanto Raquel descia para aprontar a pequena Milca. Tinha que deixar as filhas na escola e correr para o trabalho. Ser mãe de quatro filhas e conciliar com o trabalho realmente era uma rotina estressante. As manhãs eram sempre corridas e tanto ela quanto as filhas acabavam sempre chegando atrasadas por mais que Raquel tentasse o contrário.
- Mãe que droga vou chegar atrasada outra vez? – Bom dia para você também, Joana. Um sorriso cairia bem nesse seu rostinho lindo. – Joana fechou ainda mais a cara. De manhã era ainda mais mal humorada que o habitual. Mordeu um pedaço de biscoito de chocolate quando Sofia entrou na cozinha e revirou os olhos ao constatar, mais uma vez, que a irmã estava vestida de princesa.
- De novo não. Mãe quer dizer á ela que não é uma princesa? Está mais para uma sapa.
- Joana, por favor... – Repreendeu a mãe. – Sofi, sabe que não pode ir vestida assim pra escola. Filha já conversamos sobre isso.
- Mas mãe hoje é aniversário da Sandy, não é um dia normal.
- Filha o aniversário da Sandy é só depois do intervalo, e até lá você terá aula normal, não será nada confortável ficar com essa roupa cheia de panos.
- Sabia que falaria isso. Você está ficando chata viu mãe? – respondeu a filha, tirando o vestido ali mesmo. Por baixo daquela fantasia de princesa já trazia vestida o uniforme da escola em caso da mãe a barrar.
- Ótimo, agora eu sou a chata. Ò não Milca.  – exclamou quando a caçula virou o suco sobre a blusa, correndo para auxiliá-la, e gritando:
- Vera traz uma blusinha para Milca.
- Mãe estou aqui, não precisa gritar. – Respondeu a filha já sentada á mesa tomando o café.
- Que família de loucos. – resmungou Joana.
- Filha corra lá e pegue a blusinha...
- Já peguei. – Disse Vera entregando-lhe a blusa rosa.
Raquel a olhou estranhamente
- É isso todo dia. – justificou-se a filha. – Já pensou em colocar um babador nela?
- Obrigada. - Respondeu a mãe sem tirar os olhos de Vera. Estava a mãe ficando repetitiva? – Boa sugestão.
- Mãe podemos ir agora? – Joana Perguntou pegando a grande mochila preta e colocando-a no ombro direito.
- Sim. Sim filha vão indo para o carro. Apressou-se Raquel limpando as bochechas de Milca
- Mas eu ainda não tomei meu café. – reclamou Sofia
- Tome. – disse Joana entregando à irmã uma banana. – parece uma macaca mesmo, pulando de um lado para outro.
- Não sou não Gritou Sofia - Mãe...
Correram as duas para o carro enquanto Vera pegava Milca no colo e a mãe, agradecida, pegava a bolsa da creche e sua pasta do escritório.
- Eu vou na frente. – Gritou Sofia correndo
- Não eu vou. – Respondeu Joana também correndo
- Nenhuma das duas vai. – interveio a mãe. – Vera sentara na frente.
- A que surpresa. – ironizou Joana.
- Vantagem de ser a mais velha. – Cutucou Vera
A briga continuou até a primeira parada quando Raquel desceu correndo do carro e entregou a filha e a pasta para auxiliá-la da creche, que sorria interrogativa.
- Mãe - Vera chamou atrás dela.
- Oh, desculpe. – Riu nervosa, pegando a bolsa da filha que Vera a entregava e passando para auxiliá-la, que a entregava a pasta do escritório.
Deixou finalmente as outras três filhas na porta do colégio. – Comportem-se heim? – Recomendou como sempre. – Beijo filhas.
Mas as três já tinham virado as costas e andavam em direção à entrada com exceção de Sofia, que corria. O portão já estava trancado, mas o amável vigia de bochechas vermelhas, já habituado ao atraso das irmãs, abriu-o todo sorridente
- Manhã difícil hein meninas? – Brincou.
- Bom dia Euclides. – Sofia cumprimentou alegremente, enquanto passava como um foguete, seguida de Joana que fingiu que não ouviu e Vera, como sempre educada.
- Desculpe por isso novamente. - Desculpou-se.
- Não por isso meninas.  – Respondeu o vigia alegremente.
Vera bateu timidamente na porta da sala, sabia que a severa professora Azera não gostaria nem um pouco de seu atraso. Murmurou um desculpe e entrou.
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