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30 junho 2014

Crônicas de Silbery - o segredo do bosque

Olhando através de seus grandes óculos para o relógio dourado que estava acima da lousa, Azera cruzou os braços e bateu repetidamente o pé direito no chão até que Vera sentasse em seu lugar.
- Bom, agora que Vera está confortavelmente instalada, se não tiver mais nenhum inconveniente que me interrompera novamente, poderemos prosseguir com nossa aula de hoje. – Disse Azera com sua fina voz que combinava perfeitamente com seus um e sessenta de altura e quarenta e sete quilos.
- Falávamos sobre a literatura jesuítica. Vera, já que chegou atrasada, mais uma vez, poderia nos dizer quem foi José de Anchieta? -
Vera odiava aquela exposição. Sentia-se invadida. Todos estavam agora concentrados nela, olhando enquanto esperavam sua resposta.
- José de Anchieta foi um padre jesuíta espanhol um dos fundadores da cidade de São Paulo. – disse numa sonoridade baixa.
- Oras, por favor, Vera, uma resposta mais completa. – Azera não gostava de respostas resumidas em sua aula, exigia que dessem vazão ás mentes e mais que isso, que as respostas fossem iguais na medida do que ela passava aos seus alunos, ainda que decoradas.
- José de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534 em Tenerife, Espanha. Em 1551 ingressou na Companhia de Jesus, em Portugal e dois anos depois embarcou com destino ao Brasil, na comitiva de Duarte da Costa - segundo Governador Geral - para catequizar os índios. 
- Bravo. – A professora de literatura explodiu numa salva de palmas excessivamente alta. O que fez com que os alunos se entreolhassem num comprimido sorriso. – Bravo Diana. Isso mostra que alguém está realmente interessada em minhas aulas. – e continuando com uma voz uma oitava mais alta do que o normal...
- Estou ficando decepcionada com você Vera. Antes uma aluna que eu usava como modelo, já hoje tenho minhas dúvidas se realmente está aqui, uma vez que está sempre alheia, dispersa. – Sob a forte luz da manhã que entrava pelas amplas janelas da sala, Azera parecia anda menor, como que soterrada pela maciça claridade.
Diana, a aluna que respondeu à pergunta, olhou com seus grandes olhos verde para Vera e jogou o longo cabelo castanho para trás. Vera sabia que Diana não gostava dela, e mais que isso, sabia que a bela menina de olhos verdes insinuava-se para Carlos, o belo garoto dos sonhos de Vera.
A primeira aula foi uma exposição pela qual Vera não esperava. De cabeça baixa e os cabelos cobrindo o rosto, torcia que ninguém a notasse enquanto rabiscava nervosamente um papel. Tudo o que queria era que aquela manhã terminasse logo e ela pudesse voltar para casa. Para Seus livros. Ao menos com eles podia ser ela mesma e o que era melhor, não passava de uma expectadora, sem ninguém que a observasse.
- O Dragão de meio metro já foi. – Aquela voz a tirou de seus devaneios de um jeito que não esperava. Sua respiração parou e seu coração acelerou e antes que levantasse a cabeça um segundo depois sabia a quem pertencia àquela forte voz aveludada.
- Você fez isso? – Carlos apontou para o esboço do rosto de uma elfa lindamente desenhada.
- Sim eu... Bom isso não é nada. – Vera cobriu o desenho colocando o caderno sobre ele. Corou imediatamente e não sabia para onde olhar. Não ousava encará-lo
- Isso é genial. Não é sério. – Carlos percebeu que Vera estava desconfortável e arrependeu-se por ter sido tão direto, talvez inoportuno. –

- Obrigada – E recolhendo os materiais para ir para a sala de biologia. – Bom é melhor nós irmos. – disse cobrindo o peito com os cadernos. Ela achava seus seios pequenos demais e achava que isso afastava os garotos.
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