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30 junho 2014

O carro parou frente a um enorme portão de ferro acinzentado que parecia pesado demais para ser aberto manualmente, onde havia em cada uma das colunas que o sustentavam a estátua de uma grande coruja, mas quando o motorista parou frente a ele, em questão de segundos foi abrindo vagarosamente enquanto fazia um barulho de ferro rangendo, dando lugar a uma estrada com calçamento de pedras retangulares também acinzentadas que levavam a uma grandiosa casa de três andares firmemente posta no centro do terreno.
- Tia Gertrudes mora num castelo – Sofia Balbuciou. – Olha Milca, vamos morar num castelo, como princesas. – Seus olhinhos brilhavam tanto enquanto o carro ia lentamente pela estrada, que o gentil motorista, olhando pelo retrovisor, sorriu comovido com a emoção da menina. Milca, contagiada pelo êxtase de Sofia, também dava seus gritinhos de euforia enquanto tia Gertrudes, dura feito as pedras do calçamento, ia sentada ao lado do motorista.
- Não seja tola. É apenas uma casa velha e idiota. Deve estar cheia de fantasmas. – Joana disparou contra a irmã.
Mas nem mesmo esse comentário maldoso tirou o prazer que a pequena estava sentindo naquele momento.
A casa, pintada de um branco amarelado, tinha um grande telhado em camadas e várias janelas na frente com vidraças que reluzia com a fraca luz do sol que dava lugar já ao escurecer.
- Mamãe tinha razão, tinha Gertrudes é muito rica. – Vera disse
Logo frente á casa havia um grande jardim muito bem cuidado, dos dois lados, com uma passagem entre eles que dava acesso á entrada da frente. Logo á esquerda do terreno, um pouco ao fundo notava-se um lago um havia muitos patos e cisnes e do lado direito era onde o carro foi estacionado.
Tia Gertrudes, assim que o motorista lhe abriu a porta, desceu do carro toda imponente e aguardou que ele abrisse a porta para que as meninas saíssem e após ele pegar as malas ela encaminhou-se para a entrada, balançando a saia num barulho de atrito de tecido pesado.
Vestida rigorosamente com um uniforme preto abotoado até o pescoço e avental branco rendado nas laterais, uma senhora de pele muito branca com pálidos olhos azuis e cabelos grisalhos num cinza desbotado, sorria afetuosamente para as meninas que, uma a uma, entrando por aquela enorme porta que se abria em duas partes, a cumprimentavam com um sorriso tímido.
Carregando no colo a pequena Milca que, estranhando o ambiente começava a choramingar, Vera seguia a tia, que ia na frente como que abrindo caminho no vento.
Os ambientes da casa eram amplos e muito claros, composto com muitos móveis que eram verdadeiras relíquias mais pelo tempo de existência do que pelo valor. No hall de entrada havia um pequeno banco de madeira de dois lugares ao lado de um porta guarda-chuva antiguíssimos e alguns quadros de pessoas que pareciam tão velhas quanto os móveis.
Passando para o ambiente seguinte as meninas se depararam com uma sala com três grandes saídas em cada parede, alguns sofás largos de estampa marrom aveludado muito antigo e um piano de calda que reluzia muito. Um grande quadro com a pintura da ultima ceia estava sobre uma lareira acesa.
- Meninas, creio que estão muito cansadas, por favor, subam e tomem um banho. Mandarei chamá-las quando o jantar estiver servido.
E dizendo para que o motorista levasse as malas até o quarto, desapareceu por uma das portas.
É de se imaginar que numa casa daquele tamanho cada uma das meninas teria seu quarto, mas o que não podiam supor é que os quarto fossem tão grandes daquele jeito. Vera não acreditou quando viu que cada quarto tinha seu banheiro.
- Bom; nada mal. – exclamou estupefata.
Joana também não deixou se espantar com o que considerava um sonho. A cama era maior do que a que ela e suas irmãs estavam habituadas. Feita de madeira pesada e pintada de branco, tinha uma grande cabeceira com um beija-flor talhado ao centro. O armário não menos imponente e também branco com os mesmo entalhe de beija-flor ao centro só que em tamanho maior tinha um espelho muito limpo que refletia todo o quarto, com exceção da janela com vista para o norte do terreno e de onde se podia ver o grande portão de entrada.
- Dá pra acreditar? – Vera perguntou aparecendo á porta.  – Esse nossos quartos são quase do tamanho de nossos antigos quartos. –
A lembrança dos antigos quartos a fez pronunciar essas últimas palavras com um tom muito melancólico.
- Pois é. – Joana sentou-se na beirada da cama e olhou para o teto. Estranhou um lustre tão grande. – Será que isso está bem seguro? – perguntou
- Bom saberemos se você estiver viva amanhã e ele ainda no teto. – brincou Vera, mas Joana não achou graça nenhuma.
- Você não tem que tomar banho? – levantou e foi até sua mala que o gentil motorista havia colocado próximo ao armário.
- Entendi a direta. Vou ver como está Milca. Acredita que Sofi está simplesmente delirante com a casa? – perguntou antes de sair.
- Uhum! Imagino – respondeu sem dar muito atenção enquanto abria a mala com um único e rápido puxão no zíper. – Sofia é uma menina boba. – completou ao se abaixar e pegar uma blusa, que analisou e jogou novamente na mala. – Olha será que... Você pode me deixar tomar um banho?
- Não precisa ser tão agressiva ta legal?- Vera tentava manter um diálogo com a irmã, mas essa tarefa era sempre muito difícil.
Joana virou as costas assim que pegou a tolha. – Feche a porta, por favor.
O corredor que levava até o quarto de Sofia era largo e claro, mas Vera não deixou de pensar que era sombrio pelo fato de que as paredes estavam repletas de quadros de pessoas. Quadros antigos com grossas molduras prateadas, um antigo aparador com pés virados para fora e um abajur com estampa com flores amarelas também faziam parte daquela decoração um tanto quanto curiosa.
- Vera, Vera, você não vai acreditar no tamanho da minha cama.  Da pra pular quase até o teto. – Sofia estava simplesmente eufórica. Não conseguia parar de pular e esfregar as mãozinhas.
- O quê? Sofia não pode pular na cama, tinha Gertrudes não vai gostar nada, nada disso.
Mas Sofia nem escutou o quê a irmã dizia, pegou pela mão e a puxou pelos metros restantes até a porta.
Nossa. – Vera exclamou. – Isso é incrível. Realmente tia Gertrudes caprichou.
Apesar de tia Gertrudes ser uma mulher autoritária e séria, não podia acreditar que ela tinha decorado aquele quarto para Sofia e Milca. Ela tinha caprichado muito. – Mamãe não vai acreditar quando eu contar. – exclamou.
A parte dominante do quarto era rosa, mas tinha também alguns tons de azul, o quê realmente ficou muito bonito esse contraste. Ao lado das camas haviam grandes tapetes arredondados e felpudos, dois grandes ursos ao lado de cada cama, no chão, e entrando por uma porta dava-se num quarto contíguo onde Vera pode notar que se tratava de um quarto de baba.


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