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30 junho 2014

- Mão você não vai assistir filme comigo. – A voz de Sofia estava mais para conformada do que decepcionada, o quê causou ainda mais desconforto em Raquel. Ambas cruzaram os olhos e Sofia sorriu para ela de um jeito maduro que Raquel não desejou ter visto e isto a magoou.
- Vai trabalhar em casa o resto da tarde? – Vera perguntou assim que colocou Milca da cadeirinha e, abrindo o potinho de comida, colocou-o no micro-ondas para aquecer.
- Sim querida. Sabe que conto com você para cuidar da casa, não é?
- Sim mãe. – Vera respondeu automaticamente e virou-se para retirar o pote assim que o micro-ondas apitou anunciando que o aquecimento terminara.
- Filha está tudo bem? Estou achando você tão distante – Raquel aproximou-se da filha e pegou em suas mãos.
- Claro mãe, porque não estaria?  - Vera disfarçou, retirando a mão.  Caminhou até o outro lado da cozinha e abrindo a gaveta pegou a colher que Milca usava para fazer suas refeições.
- É só... Filha sabe que pode contar comigo, não sabe? – A mãe fez aquela cara de cansada que deixava sua testa com três linhas de expressão. Vera sabia o quanto Raquel dava duro para sustentar as quatro filhas desde que seu pai morreu. As mesmas correrias de sempre, as contas para pagar, o trabalho duro que continuava além do horário e as muitas vezes que acordava no meio da noite e ouvia sua mãe chorando. Quando ia até seu quarto, via-a abraçada á foto do marido, conversando e desabafando sobre tantas coisas que Vera não ousava perturbá-la e voltava para cama na ponta dos pés, como se não tivesse presenciado aquilo. Nunca disse à mãe que sabia disso. Nunca contou à Joana que a mãe chorava à noite, mas desconfiava que a irmã também soubesse, quando a flagrava olhando para a mãe com uma mistura de amor e dó.
- Mãe, está tudo bem, prometo. Deixe-me dar comida para Milca porque ela já está impaciente.
- Claro. – Raquel afastou-se para que Vera passasse. – Às vezes acho que sobrecarrego você.  – Cruzou os braços e ficou olhando Vera enquanto a filha dava a papinha à irmã com igual ou mais prática que ela própria.
- Mãe, não tem muito trabalho a fazer? Pode deixar que eu cuido de minhas irmãs. – Vera dispensou a mãe de forma suave. No fundo não estava a fim de bater aquele papo; não naquele momento.
- O quê tem para comer Vera? – Sofia entrou feito um furacão na cozinha, dando um esbarrão na mãe que saia.
- Bom hoje nós temos arroz, feijão, banana assada e bolo de carne. Está bom para a senhorita? – Vera brincou, limpando a boca de Milca e a pegando no colo. – Joana pode por o almoço para Sofi enquanto coloco Milca para dormir?
Joana entrou na cozinha e foi direto para a geladeira, olhando por um longo tempo.
- E por acaso a bebezinha não pode se alimentar sozinha? – Perguntou Joana fechando a porta da geladeira com o pé e abrindo uma garrafa grande de iogurte.
- Já falei que não sou bebezinha, sua cara de uva azeda - Gritou Milca.
- Joana apenas aqueça para ela, é pedir demais? –
- Joana apenas aqueça para ela, é pedir demais? – Joana imitou irritantemente e após tirar o lacre da garrafa, bebeu no gargalo.
- O quê? Não acredito que fez isso. Sabe que isso é anti-higiênico?
Joana deu ainda mais um longo gole e recolocou o lacre na garrafa.
- É mesmo? – perguntou com cara de espanto. – Oh e agora? Serei punida por ser uma menina má? - colocou os dedos sobre os lábios.
- Porque você tem que fazer isso? – quis saber Vera.
- Isso o quê? – Joana insistia em ser insolente e provocativa
- Não vou fazer seu jogo. – Vera deu as costas para a irmã e pegou Milca no colo. Contornando a mesa de granito, pediu á Sofia que esperasse até que fizesse a pequena Milca dormir e voltasse para aquecer ser almoço.
- Está olhando o quê? – Joana perguntou á Sofia.
- Vou contar pra mamãe que bebeu na garrafa. – Sofia ameaçou, apertando os olhos e trancando os dentes, como sempre fazia quando queria se fazer ameaçadora.
Joana limitou-se apenas a mostra-lhe a língua. E colocando a garrafa na geladeira. Passou por Sofia e deu um tapa em sua cabeça.
- Vê se cresce pirralha.
- Eu não sou pirralha sua anta. Vou contar mesmo. E tomara que sua cara fique cheia de catapora e nenhum menino queira beijar você.
Essas ultimas palavras foram gritadas, e lá do escritório Raquel também gritou, pedindo silêncio.
- Desculpe. – Sofia balbuciou.

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