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30 junho 2014

- Filha pegue Milca e vá para a janela. - Raquel gritou. Estava desesperada, mas Vera sentia uma firmeza em sua voz e uma autoridade tal que a fazia seguir o comando de sua voz sem hesitar. A fumaça subia pela escada como a sombra da noite já apontava no topo. Manter a calma seria a primeira coisa a fazer, em seguida teria que pegar Milca no quarto conjugado com o da mãe.
Correu pelo curto corredor até a porta. Milca ainda dormia, mas a fumaça já provocava tosses na menina. Vera olhou pela janela a fim de ver a altura, mas naquela parte da casa era impossível pular; havia muitas madeiras velhas e algumas pontiagudas que certamente poderia feri-las fatalmente.
Pegou então um cobertor e enrolou a pequena o melhor que pode. Chegando à porta viu que já havia labaredas chegando. O desespero quis tomar conta de sua mente, mas sua irmã dependia dela. Os gritos de sua mãe eram cada vez mais desesperadores.
Então lembrou que a janela do banheiro, embora estreita, tinha uma passagem suficiente para que ambas passassem. Não ouvia sirenes então deduziu que ainda não havia chegado os bombeiros. Correu para o banheiro e fechou a porta.
- Certo. Calma. Vai dar tudo certo. – seu coração pulava em seu peito, sua respiração acelerada estava cada vez mais difícil e Milca havia acordado e chorava agora enquanto esfregava os olhos, que ardiam. Estava assustada.
Logo abaixo da janela do banheiro havia um patamar onde antes tinha sido uma sacada. Após a reforma fecharam e transformaram num banheiro, mas tinham deixado não se sabe por que, aquele pequeno patamar, provavelmente para ser demolido depois. Estava com os tijolos quebrados pela ação do tempo, mas Vera não tinha outra opção.
- Vão ter que agüentar. – ela disse. E colocando Milca sobre a bancada da pia, subiu na janela e com um pequeno esforço passou por ela. – Querida vem com a Vera. – disse para a irmã que agora chorava ainda mais alto. Atraída pelo choro da filha, Raquel correu até aquela parte da casa, e agora, acompanhada de Joana e Sofia, gritava aflita para que a filha tomasse cuidado.
- As pedras estão soltas Vera, não vá para a beirada.
Mas o quê Vera podia fazer? Não havia mais saída para ela. Voltar para dentro era impossível, já a casa estava tomada pelas labaredas. Ouvia agora o soar das sirenes do bombeiro. Tudo que precisava era pegar Milca.
- Querida vem com a Vera, vai ficar tudo bem. – mas Milca, uma criança de apenas três anos, sem entender muito do que se passava lá dentro e tossindo muito, chorava desesperadamente. Vera temia que aquela fumaça fizesse sua irmã desmaiar, o quê seria ainda mais difícil tirá-la de lá. Labaredas já entravam por baixo da porta.
- Querida, segure nas mãos da Vera, tudo bem? – Vera ficou nas pontas dos pés e conseguiu segurar nas mãozinhas de Milca. – Isso, agora eu vou te puxar e você vai segurar no meu pescoço, ta bom? – Milca balançou a cabeça em afirmativa, Vera a puxou e ela segurou no pescoço da irmã, mas quando ela passou pela janela alguns blocos se desprenderam e Vera vacilou. Os gritos de sua mãe e irmãs romperam no ar.
Respiração curta e coração batendo forte, Vera temia que um movimento a fizesse cair e também a sua irmã. Foi nesse instante que, notando algo passar pelas suas costas e bater forte contra a parede, Vera percebeu que era uma escada e que por ela, subindo rapidamente, um grande homem uniformizado subia a seu encontro. Era um bombeiro
- Rápido, por favor. – balbuciou.
- Está tudo bem, calma, fique calma. – disse o bombeiro assim que chegou até as meninas. – Devagar se vire para mim.
- Vera obedeceu e muito devagar, mexendo os pés vagarosamente e ainda segurando sua irmã muito forte, apertada a si, ficou de frente ao bombeiro.
- Isso. Muito bom. Vera é seu nome?
- Sim. – Vera murmurou dura feita estátua.
- Muito bem Vera, me passe primeiramente sua irmã, Ok? Primeiro a menina.
 Muito devagar Vera passou para ele a irmã, que ainda chorava, mas agora não tanto quanto antes.
- Ótimo. Preciso que fique ai, segure-se firme. Vou passar sua irmã ao sargento Wilson e em seguida pegarei você.
- Aham. - compreendeu
Muito rapidamente o bombeiro passou ao sargento a pequena Milca e questão de segundos já segurava a cintura de Vera junto a si, ajudando-a a passar para a escada.
Já no chão, abraçada pela mãe e por Sofia, Vera chorava numa mistura de soluções e murmúrios incompreensíveis. Estava muito assustada e ainda mão compreendia o quê havia se passado. Num minuto havia subido para fazer sua irmã dormir e no momento seguinte a casa havia pegado fogo.
Suas penas tremiam enquanto uma atenciosa agente do corpo de bombeiros colocava sobre seus ombros uma manta e em seguida a guiava para uma ambulância.

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